NOTA DE REPÚDIO
- CINEMA ALDEIAS TABAJARA
- há 3 dias
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EM DEFESA DA DIGNIDADE DO POVO TABAJARA DA PARAÍBA e CONTRA O RACISMO INSTITUCIONAL
As organizações abaixo assinadas vêm a público manifestar profundo REPÚDIO às declarações proferidas pelo antropólogo Eduardo Luz e por setores contrários à demarcação de terras indígenas, durante a Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), no dia 25 de março de 2026.
É inadmissível que, em pleno século XXI, dentro da Casa do Povo, a identidade do Povo Tabajara seja tratada como uma "construção artificial" ou "suposta". A autodeterminação dos povos é um direito garantido pela Convenção 169 da OIT e pela Constituição Federal de 1988. Negar a existência de um povo originário com base em conceitos ultrapassados de "mestiçagem" é uma tentativa violenta de apagar a história e os direitos territoriais de quem resiste há mais de 500 anos.
O uso de termos como "erro grotesco" e "experimento social" para descrever processos demarcatórios legítimos não contribui para a paz social. Pelo contrário, tais falas, acirram conflitos no campo, colocam em risco a integridade física de lideranças indígenas e desinformam a sociedade civil e os pequenos agricultores, que também são vítimas da falta de uma política agrária eficiente.
Repudiamos a tentativa de criminalizar a atuação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e de setores da Igreja Católica. Atribuir a consciência étnica de um povo a uma "manipulação externa" é uma fala profundamente colonialista que subestima a autonomia e a inteligência das lideranças indígenas Tabajara. O CIMI exerce um papel histórico e legítimo na defesa dos direitos humanos e na assessoria jurídica a populações vulnerabilizadas.
Reafirmamos que a autodeterminação dos povos não é uma escolha administrativa, é uma herança de sangue, território e espiritualidade. Não aceitaremos que critérios de "pureza racial" há muito superados pela ciência e pelo direito sejam utilizados para legitimar o esbulho possessório e a exclusão social às quais, os povos indígenas foram submetidos desde o primeiro momento em que o colonizador pisou nesta terra.
Exigimos que a Assembleia Legislativa da Paraíba e o Ministério Público Federal assegurem que os debates sobre o território sejam pautados no respeito à dignidade humana e na legislação indigenista vigente, sem dar palco a discursos que flertam com o racismo e a negação histórica.
DEMARCAÇÃO JÁ, DAS TERRAS TABAJARA DA PARAÍBA!




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