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Ao Som do Metal e da força do Toré Tabajara reconstrução da Oca na aldeia Barra de Gramame.

Na Aldeia Barra de Gramame, em meados de 2025, o som que dominava não era o dos pássaros, mas o do metal batendo contra o chão. O que hoje se consolida como uma oca imponente começou apenas como um rascunho baseado na estrutura anterior. Para erguer a nova construção, não bastou apenas adquirir bons materiais. Foi necessário enfrentar as dificuldades do solo, analisar editais detalhadamente na busca por recursos, realizar reuniões e trocar saberes tradicionais. Cada etapa exigiu uma análise minuciosa para garantir que a oca resistisse ao tempo, simbolizando a própria força do povo Tabajara.

É tradição entre os indígenas, para iniciar a edificação, realiza-se o Toré, rito tradicional que pede a iluminação e a guia dos ancestrais. Na ocasião, o cacique Carlos Tabajara, líder da aldeia Barra de Gramame, proferiu a saudação na língua Tupi. Movida pela força da coletividade, a comunidade preparou o solo e os materiais, transformando o canteiro de obras em um espaço de cultura, resistência e história. Como base estrutural, utilizou-se a resistente madeira de eucalipto nas colunas e a fibra de piaçaba na cobertura, garantindo longa durabilidade ao teto. Todo o processo contou com o esforço mútuo da aldeia, subdividido no estabelecimento de contatos, no preparo do alimento e no trabalho braçal da mão de obra.

Simultaneamente à reconstrução da oca, a comunidade preparava um espaço dedicado ao armazenamento de sementes puras e livres de modificações genéticas ou contaminações. Esse local foi batizado de Casa de Sementes Crioulas Ancestrais.

Da culminância desse projeto originou o e-book Sementes Ancestrais, organizado por Taiza Nunes dos Santos, Tânia Maria de Andrade e Volmir Perucchi. O livro foi lançado oficialmente no auditório do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Abrindo o evento, o cacique Carlos e a comunidade Tabajara realizaram o ritual do Toré, integrando de forma emocionante todos os presentes. A cerimônia reuniu os autores da obra, lideranças indígenas, crianças, anciãos, professores e coordenadores educacionais em um momento de celebração e memória.






 
 
 

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